sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Livro PIASSON


Livro PIASSON

Prefácio: Francisco Souto Neto
Edição 2008 (Curitiba, PR)


Capa

Capa. 

Valdeci Piasson, o artista plástico

O artista plástico Valdeci Piasson

Prefácio

Página 4: Prefácio em Português.

Página 5: Prefácio em Português.

     Transcorria o ano de 1992 quando recebi um telefonema da jornalista Mary Schaffer, sugerindo-me que procurasse conhecer um novo artista plástico que começava a expor, chamado Piasson, que ela acreditava ser interessante e talentoso. Foi assim, estimulado pela sugestão da minha amiga e colega de jornalismo, que pela primeira vez tomei contato com a obra de Valdeci Piasson, naquele ano em que o jovem concluía seus estudos na EMBAP – Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Visitei a exposição, analisei detidamente os trabalhos expostos e publiquei as minhas impressões na coluna Expressão & Arte, que mantive durante mais de dez anos no Jornal Indústria & Comércio, e também nas revistas Charme e Success.

     Piasson desenvolvia nas telas o mais puro abstracionismo. No entanto, pareceu-me claro que as idéias das composições advinham de referências figurativas, somando-se à sensação de que as pinceladas sugeriam intenso movimento, uma espécie de inquietude que levava o espectador a interessante experiência visual. Era como se a obra quisesse alçar vôo para sair do plano meramente material, e a inquietação desse plano físico da pintura fosse um contraponto às sutilezas do mundo pessoal e espiritual do artista. Estava aí a chave para o início do entendimento do magnetismo que a arte de Piasson parecia exercer sobre as pessoas.

     Essas pinturas passaram a ser mais significativas para mim quando tomei conhecimento de que Piasson criava – e continua criando – a sua própria tinta, tal qual faziam os grandes mestres dos séculos passados. Ele se valia de materiais orgânicos, como carvão, minério, areia, fragmentos de rocha, diferentes tons de terra e pigmentos retirados da própria pedra.

     Além disso, as formas das telas ou dos suportes usados por Piasson fugiam completamente ao convencional. Tal suporte, quando retangular, podia assemelhar-se a imensas réguas alinhadas tanto horizontal quanto verticalmente, formando dípticos ou trípticos harmoniosos e plenos de luminosas cores. Contudo, a inovação maior provinha da adoção de suportes irregulares que, vale enfatizar, faziam parte integrante da obra, ora com bordas curvas, assemelhando-se a leques, ora pontiagudas, ou em muitos outros formatos não convencionais, levando, invariavelmente, à sensação de flutuar. No começo dos anos 90, raros artistas adotavam esses formatos pouco conhecidos que chegavam a surpreender aos mais conservadores e aos avessos à inovação na criação artística.

     Perdi contato com Piasson na metade da década de 90. Só depois vim a saber que o artista mudara-se para Londres com o objetivo de aprofundar-se no estudo de novas técnicas de pintura. E ele estava justamente numa das cidades mais ricas do mundo, dotada de preciosíssimos museus e galerias de arte!

     Durante o tempo da sua experiência britânica, Piasson chegou a expor suas pinturas num espaço cultural de Covent Garden, um dos mais maravilhosos lugares de Londres, com cafés ao ar livre, sofisticadas lojas, artistas de rua e magníficos mercados. Concedeu entrevista à Rádio BBC de Londres e ao Jornal Latin America, também da capital britânica. O mais importante foi que, durante sua experiência londrina, Piasson participou de cursos de aperfeiçoamento da sua arte.

     De volta ao Brasil continuou pintando e, mais que isto, tornou-se professor, ministrando cursos de técnicas e efeitos em pintura decorativa. Recentemente, ao visitar a escola e atelier de Piasson, pude conhecer sua obra atual. Constatei então que o artista plástico persiste fiel ao seu princípio – o abstracionismo – que prossegue por ele praticado sobre suportes não convencionais. Ocasionalmente ele faz algumas experiências figurativas e demonstra domínio da anatomia humana, mas é a abstração que se mantém como o substrato da sua obra.

     O que mais se sobressai nesta última fase é a variedade de tons que passam até mesmo por prateados e brancos quase evanescentes, e também, o fato de Piasson valer-se de técnicas mistas com experimentos de resinas e composições diversas com fragmentos de madeira, rocha, metal, materiais marinhos e outros elementos orgânicos, cujos resultados têm sido muito interessantes, porque dotam a obra, às vezes, de um caráter de intensa dramaticidade.

     No período – final dos anos 90 – em que Piasson residiu no litoral de Santa Catarina, passou a incorporar ainda mais a sua obra com materiais orgânicos que, ao longo do tempo, “quase sem perceber, quase distraidamente” como diz o próprio artista, foi colecionando: conchas, pedaços de madeira desprendidos de embarcações e polidos pelo mar, pedras... Aprofundando-se em tais experimentos, ele obteve novos e surpreendentes resultados.

     As últimas telas do artista revelam maturidade no trato do abstracionismo, tanto na composição quanto em algumas inovações, como, por exemplo, no emprego de tintas metálicas.

     Ainda há pouco, rememorando as telas feitas no início da sua carreira, eu mencionei que elas pareciam querer alçar vôo. Surpreendentemente, seus trabalhos atuais estão agora, em grande parte, suspensos no espaço. É que Piasson os está realizando de tal maneira que eles podem ficar pendurados do teto, como móbiles, literalmente flutuando. Penduradas do teto, mas à distância de um palmo da parede, essas obras à primeira vista parecem afixadas, mas qualquer leve brisa que atravesse o ambiente fazendo-as oscilar apenas milímetros, cria uma sensação espacial de inquietante fascínio e sugere a ligação da matéria com o espírito.

     Um dos quadros, por exemplo, chama-se “No limite da dimensão”. Outros, que evocam vôos e flutuações, integram a “Fase Alada” do artista. Somando-se isto às formas ousadas dos suportes, Piasson alcança plenamente os seus objetivos.

     Esses mesmos trabalhos que flutuam, foram projetados para ser instalados também no chão, proporcionando assim uma releitura de infinitas possibilidades.

     Outro detalhe muito interessante da fase atual é o lado ecológico da criação do artista, que denuncia a degradação da Natureza, preocupação esta que é um reflexo da sua chácara agro-ecológica na área metropolitana de Curitiba. Uma das madeiras afixadas numa tela está parcialmente carbonizada, e isto denuncia as queimadas ilegais das matas. Com o carvão do próprio fragmento carbonizado, ele desenhou sobre a tela branca, criando um trabalho de rara beleza.

     Atualmente a pintura de Valdeci Piasson prossegue, dentro do seu inequívoco intimismo, representando um elo entre a matéria e o espírito. Ele aponta, como desde o princípio e agora com maior intensidade, para uma das muitas trilhas que assomam no horizonte destes novos tempos, que é aquela que poderá se tornar uma das mais marcantes e profícuas da sua geração.

Francisco Souto Neto


FRANCISCO SOUTO NETO, advogado, jornalista e crítico de arte radicado em Curitiba, foi diretor do Instituto Saint’Hilaire da Defesa dos Sítios Históricos, conselheiro do Museu de Arte do Paraná, conselheiro do Sistema Paranaense de Museus (gestões René Dotti e Gilda Poli), diretor da Associação dos Amigos dos Museus de Curitiba: Museu de Arte Contemporânea, Museu Paranaense e Museu da Imagem e do Som, conselheiro do Programa de Cultura da Telepar, e Assessor da Diretoria, da Presidência e para Assuntos de Cultura do Banestado. Em 2006 e 2007, diretor segundo-secretário da API – Associação Paranaense de Imprensa (gestão Nilton Romanowski).

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Francisco Souto Neto, autor do prefácio para o livro Piasson.

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Página 6: Prefácio em Inglês.

Página 7: Prefácio em Inglês.

It was back in 1992 that I got from a journalist friend, Mary Schaffer, who suggested yhat I check out a new artist called Piasson, who was having his first exhibits, and whom she believed to be an interesting and talented artist. And it was by following my friend and fellow journalist’s suggestion that I first became familiar with the work of Valdeci Piasson, in the same year in which the young man was concluding his studies at EMBAP – the Music and Fine Arts Higher Education College of Paraná State. I visited the exhibition, made a thorough analysis of the works on show and published my critic in the Expressão & Arte column of the Indústria & Comércio Newspaper, for which I had been writing for over ten years, in addition to two other magazines, Charme and Success.
            Piasson was developing on canvas the purest abstractionism. However, it was clear to me that the ideas for the compositions emerged from figurative references, adding to the feeling that the paint strokes suggested intense movement, a sort of restlessness that led spectator to some interesting visual experiences. It was as if the work wanted to fly off from the merely material realm, and the restlessness of this physical realm of painting was a counterpoint to the subtleness of the personal and spiritual worlds of the artist. This was the key to the beginning of an understanding of the magnetism that Piasson’s art seemed to instil in people.
            These paintings became more significant to me when I discovered that Piasson had prepared, and still continues to prepare, his own paint, just as the old masters had done in bygone centuries. He used organic materials, such as coal, iron ore, sand, rock fragments, various shades of earth and pigments extracted from the rock itself.
            Furthermore, the shapes of the canvases or frames used by Piasson have completely bypassed convention. Such frames when rectangular, could resemble immense rulers, lined up both horizontally and vertically, forming diptychs or triptychs that are harmonic and replete with luminous colours. However, the greatest innovation came from the adoption of irregularly shaped frame that, it is worth emphasizing, were themselves an integral part of the work. There are either curved edges, similar to hand fans, or sharp ones; or they may come in a variety of other unconventional shapes, invariably inducing a sensation of floating. In the early nineteen nineties, few artists adopted these little-known formats that would surprise even the most conservative viewer and those who are relucted to innovate in artistic creation.
            I lost touch with Piasson in the middle of the 1990s. Only later did I learn that the artist had moved to London in order to study new painting techniques. And he has precisely in one of the greatest capitais, rich in some of the most famous museums and art galleries, in the world!
            During his stay in Britain, Piasson exhibited his paintings at a cultural space in Covent Garden, which I consider to be one of London’s most marvelous spots, with open air cafés, sophisticated shops, street artists and magnificent markets. He gave an interview to BBC Radio London and to the Latin American Newspaper, also based in the British capital. However, most importantly, whilst in London, Piasson attended courses to perfect his art.
            Back in Brazil, he continued painting, and moreover, became a teacher, lecturing in techniques and effects in decorative painting. Recently, whilst visiting Piasson’s school and studio, I had a chance to view his present work. I realized then that the artist has remained faithful to his principle – abstractionism – which he continues to execute on unconventional frames. He occasionally creates figurative experiences and demonstrates a mastery of human anatomy, but it is abstractionism that persists as the core of his works.
            What figures most in this latest phase is the variety of shades that range through silver and almost evanescent whites, and also the fact that Piasson employs mixed techniques, experimenting in resins and various compositions with fragments of wood, rock, metal, ocean debris, and other organic elements , which create very interesting effects, since they lend an intense dramatic character to the works.
            In the late 1990s – when Piasson was living on the coast of Santa Catarina State – he began to incorporate into his work even more organic materials which, as time went by, “almost without realizing it, almost distractedly”, as the artist himself says, he had collected: shells and pieces of wood that fell from boats and were polished by the ocean and through contact with rocks. Plunging deeper into these experiments he obtained new and astonishing results.
            The artist’s latest canvases reveal a maturity in dealing with abstractionism, as much in the composition as in the innovations, such as the use of metallic paints.
            A little while ago, recalling his output on canvas from the early days of his carrer, I mentioned that they seemed to desire to take flight. Surprisingly, a great many of his present works are now suspended in the air. That is because Piasson is executing them in such a way that they hang from the ceiling, much like baby mobiles, literally floating. While hanging from the ceiling, but a handbreadth away from the wall, these works seem, at first sight, to be set in place, but any light breeze that crosses the room causes them to sway, crating a spatial sensation of disquieting fascination, suggesting a link between matter and spirit.
            One of the works, for example, is called “No limite da dimensão” [At the edge of dimension]. Others, which evoke flights and fluctuations, integrat the “Winged Phase” of the artist. Adding that to the bold shapes of the frames, Piasson completely achieves his objectives.
            These same works that float were also intended to be installed on the ground, thus providing infinite possibilities for reinterpretation.
            Another very interesting detail of the present phase is the ecological slant of the artist’s creations, which denounces the degradation of Nature, this concern being a reflex of his agro-ecological farm in the metropolitan area of Curitiba. One of the pieces of wood attached to a painting is partially carbonized, and that denounces the illegal lighting of fires in the forests. Wich the coal resulting from the carbonized fragment itself, he drew on white canvas, creating a work of exquisite beauty.
            Presently, the paintings of Piasson represent a link between matter and spirit. He points down, as at the beginning of his career, and now more intensely, one of the many paths that are arising on the horizon of these new times, and which could turn him into one of the most striking and proficient of his generation.
            Francisco Souto Neto.
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Francisco Souto Neto is a lawyer, journalist and art critic who resides in Curitiba, and as been Director of the Saint’Hilaire Institute for the Preservation of Historical Sites, a Councilor of the Paraná Arte Museum, a Councilor of the Paraná System of Museums, a Director of the Association for the Friends on Museums in Curitiba: The Museum of Contemporary Art, the Museum of Paraná State and the Museum of Sound and Image, a Councilor of the Telepar Program for Culture, and an Assistant to the Board of Directors, Presidency and for Culture Issues at Banestado. In 2006 and 2007, he was the Second-Secretary Director of API – the Paraná Press Association.

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Página 8: Prefácio em Espanhol.

Página 9: Prefácio em Espanhol.

            Transcurría el año 1992 cuando recibí una llamada de teléfono de la periodista Mary Schaffer, sugiriéndome que intentase conocer un nuevo artista plástico que comenzaba a exponer, llamado Piasson, que ella creía que era interesante y talentoso. Fue así, estimulado por la sugerencia de mi amiga y compañera de periodismo, que por primera vez tomé contacto com la obra de Valdeci Piasson, en aquel año en que el joven concluía sus estudios en la EMBAP – Escuela Superior de Música y Bellas Artes de Paraná, Brasil. Visité la exposición, analicé detenidamente los trabajos expuestos y publiqué mis impressiones en la columna “Expressão & Arte”, que mantuve durante más de diez años en el Periódico “Indústria & Comércio”, y también en las revistas “Charme” y “Success”.
            Piasson desarrollaba en los lienzos el más puro abstraccionismo. Sin embargo, me pareció claro que en las ideas de las composiciones se adivinaban referencias figurativas, sumándose a la sensación de que las pinceladas sugerian un intenso movimiento, una especie de inquietud que llevaba al espectador a una interesante experiencia visual. Era como si la obra quisiese volar para salir del plano meramente material, y la inquietud de ese plano físico de la pintura fuese un contrapunto a las sutilezas del mundo personal y espiritual del magnetismo que el arte de Piasson parecia ejercer sobre las personas.
            Esas pinturas pasaron a ser más significativas para mí cuando tuve conocimiento de que Piasson creaba – y continúa creando – su propia tinta, tal cual hacían los grandes maestros de los siglos pasados. Él se valía de materiales orgánicos, tales como carbón, minerales, arena, fragmentos de roca, diferentes tonos de tierra y pigmentos retirados de la propia piedra.
            Además de esto, las formas de los lienzos o de los soportes usados por Piasson huían completamente de lo convencional. Tal suporte, cuando rectangular, se podía assemejar a inmensas reglas alineadas tanto horizontal como verticalmente, formando dípticos o trípticos harmoniosos y plenos de luminosos colores. Con todo, la innovación mayor provenía de la adopción de soportes irregulares que, vale enfatizar, hacían parte integralmente de la obra, ora com bordes curvos, asemejando abanicos, ora pontiagudos, o en muchos otros formatos no convencionales, llevando, invariablemente, la sensación de flotar. A principios de los años 90, raros artistas adoptabam esos formatos poco conocidos que llegaban a sorprender a los más conservadores y a los contrarios a la innovación en la creación artística.
            Perdí el contacto con Piasson en la mitad de la década de los 90. Sólo después supe que el artista se mudó para Londres con el objetivo de profundizarse en el estudio de nuevas técnicas de pintura. Y él estaba justamente en una de las ciudades más ricas del mundo, dotada de preciosísimos museos y galerías de arte!
            Durante el tiempo de su experiencia británica, Piasson llegó a exponer sus pinturas en un espacio cultural de Covent Garden, que considero uno de los más maravilhosos lugares de Londres, con cafeterías al aire libre, sofisticadas tiendas, artistas de calle y magníficos mercados. Concedió uma entrevista a la Radio BBC de Londres y al “Jornal Latin America”, tambíén de la capital británica. Lo más importante fue que, durante su experiencia londrina, Piasson participó de cursos de perfeccionamiento de su arte.
            De vuelta a Brasil continuó pintando y, más que esto, se hizo profesor, impartiendo cursos de técnicas y efectos en pintura decorativa. Recientemente, al visitar la escuela y estudio de Piasson, pude conocer su obra actual. Constaté entonces que el artista plástico permanece fiel a su principio – el abstraccionismo – que sigue siendo practicado por él sobre soportes no convencionales. Ocasionalmente hizo algunas experiencias figurativas y demuestra dominio de la anatomía humana, pero es la abstracción la que se mantiene como el sustrato de su obra.
            Lo que más sobresale en esta última fase es la variedad de tonos que pasan hasta mismo por los plateados y blancos casi evanescentes, y también, el hecho de que Piasson se vale de técnicas mixtas com experimentos de resinas y composiciones diversas con fragmentos de madera, roca, metal, materiales marinos y otros elementos orgánicos, cuyos resultados han sido muy interesantes, porque dotan a la obra, a veces, de um carater de intensa dramaticidad.
            En el período – finales de los años 90 – en que Piasson residió em el litoral de Santa Catarina, pasó a incorporar todavia más en su obra materiales orgánicos que, a lo largo del tiempo, “casi sin percibirlo, casi de forma distraída” como dice el proprio artista, fue coleccionando: conchas, pedazos de madera desprendidos de embarcaciones y pulidos por el mar, piedras... Profundizándose en tales experimentos, obtuvo nuevos y sorprendentes resultados.
            Los últimos lienzos del artista revelan madurez en el trato del abstraccionismo, tanto en la composición cuanto en algunas innovaciones, como, por ejemplo, en el empleo de tintas metálicas.
            Hace poco, recordando los lienzos hechos em el inicio de su carrera, mencioné que parecían querer alcanzar vuelo. Sorprendentemente, sus trabajos actuales están ahora, en gran parte, suspendidos en el espacio. Es que Piasson los está realizando de tal manera que pueden estar colgados del, como móviles, literalmente flotando. Colgadas del techo, pero a una distancia de un palmo de la pared, esas obras a primera vista parecen fijas, pero qualquier leve brisa que atraviese el ambiente haciéndolas oscilar apenas milímetros, crea uma sensación  espacial de inquietante fascinación y sugiere uma unión de la materia com el espíritu.
            Uno de los cuadros, por ejemplo, se llama “No limite da dimensão” (En el limite de la dimensión). Otros, que evocan vuelos y formas de flotar, integran la “Fase Alada” (Fase de las Alas) del artista. Sumando esto a las formas osadas de los soportes, Piasson alcanza plenamente sus objetivos.
            Esos mismos trabajos que flotan, fueron proyectados para ser también instalados en el suelo, proporcionando así una relectura de infinitas posibilidades.
            Outro detalle muy interesante de la fase actual es el lado ecológico de la creación del artista, que denuncia la degradación de la Naturaleza, preocupación ésta que es un reflejo de su finca agro ecológica en el área metropolitana de Curitiba. Una de las maderas fijadas en un lienzo está parcialmente carbonizada, y esto denuncia los incendios ilegales de los bosques. Con el carbón del proprio fragmento carbonizado, dibujó sobre un lienzo blanco, creando un trabajo de rara belleza.
            Actualmente la pintura de Piasson prosigue, dentro de su inequívoco intimismo, representando un puente entre la materia y el espíritu. Él apuenta, como desde el principio y ahora con mayor intensidad, para uno de los muchos caminos que aparecen em el horizonte de estos nuevos tiempos, que es aquél que podrá volverse uno de los más marcantes y provechosos de su generación.
            Francisco Souto Neto
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Francisco Souto Neto, abogado, periodista y crítico de arte erradicado em Curitiba, fue director del Instituto Saint’Hilaire de la Defensa de los Sitios Históricos, consejero del Museo de Arte de Paraná, consejero del Sistema Paranaense de Museos, director de la Asociación de los Amigos de los Museos de Curitiba: Museo de Arte Contemporáneo, Museo Paranaense y Museo de la Imagen e del Sonido, Consejero del Programa de Cultura de Telepar, y Asesor de Dirección , de Presidencia y para Asuntos de Cultura de Banestado. Em 2006 e 2007, director segundo secretario de API-Asociación Paranaense de la Prensa.

Algumas obras de Piasson:

Página 27

Página 33

Página 49

Página 53

Página 61

Página 87

Valdeci Piasson trabalhando em sua obra.

Ficha técnica do livro:
Página 111: Ficha técnica do livro Piasson.

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domingo, 4 de dezembro de 2011

Livro A HISTÓRIA DO MOVIMENTO CINECLUBISTA PARANAENSE.

Livro A HISTÓRIA DO MOVIMENTO CINECLUBISTA PARANAENSE

José Gil de Almeida
Prefácio: Francisco Souto Neto
Edição 2008 (Curitiba, PR)

Capa

Capa

Abertura

Página 3:  Abertura

Prefácio

Francisco Souto Neto, autor do prefácio.
Página 5:  Prefácio.


Página 6:  Prefácio.


Página 7:  Prefácio.


Página 8: Prefácio.

   Prefácio

   A leitura de “A história do Movimento Cineclubista Paranaense”, de José Gil de Almeida, é um passeio, às vezes surpreendente e dramático, outras vezes hilariante, através do passado recente de pessoas que moveram o universo cinematográfico paranaense para o lado da originalidade e da ousadia, num tempo em que imperava neste país a censura, instrumento da ditadura e da repressão para impedir o avanço do pensamento e da liberdade de expressão.

   Embora eu nunca tenha participado ativamente no Movimento Cineclubista, jamais estive alheio às dificuldades enfrentadas pelos cineclubistas nos seus movimentos contra a censura oficial e a favor dum cinema mais verdadeiro, reflexivo e social. Muito do que estava acontecendo, eu sabia através do meu muito bem informado amigo José Gil, autor deste livro. Ele, a propósito, um dos mais atuantes cineclubistas do país, foi presidente do Cineclube de Maringá de 1981 a 1984, Coordenador Estadual da Federação Paranaense de Cineclubes de 1985 a 1990, tendo em 1986 ocupado, simultaneamente, a presidência do Conselho Nacional de Cineclubes.

   As novas gerações não imaginam o que representou a censura para o cinema e, por extensão, a todos os segmentos da cultura: literatura, teatro, música. A própria imprensa estava amordaçada pelo rígido controle do governo central. Isto me fez lembrar de um curioso episódio que poderá elucidar, bem claramente, como a censura agia em cada país conforme a visão muito pessoal dos seus respectivos governos e que, além de autoritária e castradora, era extremamente burra! Vou me referir especificamente ao filme “Roma de Fellini”, uma obra-prima da cinematografia, ganhadora de muitos prêmios e hoje um dos ícones do cinema de arte.
  
   Roma de Fellini

   Quando o filme passou nas telas brasileiras, fui assistir. Eu tinha conhecimento de que havia um trecho censurado, mas era impossível saber que assunto ou que cenas tinham sido sonegadas ao espectador brasileiro. Logo depois disso, fiz um passeio a Buenos Aires em companhia de um amigo, Rubens Faria Gonçalves. Lá, na capital portenha, vimos que o filme “Roma de Fellini” estava em cartaz. E entramos no cinema, na esperança de assistir ao filme completo. Em certo momento da projeção, durante o sono e sonho de uma personagem, inicia-se um desfile de modas no Vaticano. Surgem, na passarela, noviças com hábitos de cetim negro, seguidas de outras freiras que desfilam com seus chapéus cujas abas, ao compasso da música de Nino Rota, movem-se como asas de gaivotas. Sacristãos mostram trajes cheios de rendas e festivos modelos de batinas. Depois, aparecem bispos e cardeais usando adornos eclesiásticos com espelhos, ouro e plumas, e com iluminação própria. Para encerrar o desfile, desce sobre a passarela um gigantesco portal de ouro e então surge o próprio papa – o ator era um sósia de Paulo VI, o papa então reinante – envolto em tamanho esplendor que ofusca a platéia em delírio...

   A sequência do desfile é o ponto mais engraçado e, ao mesmo tempo, estranhamente belo, do filme. Como a Igreja Católica era muito forte no Brasil, exigiu ao governo que a suprimisse totalmente, vetando, deste modo, o direito do espectador a conhecer a obra completa do genial diretor italiano.

   Mas então percebemos que ali no cinema de Buenos Aires, o que faltava era uma outra sequência inteira do filme que tínhamos visto no Brasil: a dos homens que, durante a II Guerra Mundial, dirigem-se ao prostíbulo de Roma, onde estão se expondo as prostitutas quase sempre feias e bizarras de rosto, bem à maneira que o diretor Fellini faz em praticamente todos os filmes, para que o espectador se divirta sobretudo em observar as “máscaras” humanas. Só algumas das prostitutas mostram os seios, mas jamais aparece qualquer nudez abaixo da cintura. Hoje, se o filme voltar aos cinemas, certamente não escandalizará nem mesmo a adolescentes. Ocorre que, naquela época, a prostituição era proibida na Argentina, e por este motivo o governo de lá censurou todo aquele trecho do filme, e manteve intacta a parte do desfile do Vaticano, simplesmente porque, naquele país, a Igreja não era tão forte e, para os censores argentinos, qualquer referência à prostituição era o que arrepiava de horror.

   Então, no Brasil a censura cortou o trecho do desfile no Vaticano. Na Argentina, o corte ocorreu no divertido capítulo das prostitutas. Para ver como o que era mau ou bom para a censura dum país, não era o mesmo para a censura do outro... Em ambos os casos, saiu perdendo a cultura de ambos os países, e os cinéfilos em especial.
  
   Je Vous Salut Marie

  José Gil, ao longo de todo o livro, demonstra bem claramente a sua luta e a dos cineclubistas contra a censura. E, com meu amigo disposto a divulgar no Brasil as obras na íntegra, apesar da proibição do governo, certa ocasião vivenciei com ele e com outros amigos um interessante episódio. Ocorreu o seguinte:

   O filme “Je Vous Salut Marie”, de Jean-Luc Goddard, premiado e elogiado diretor francês, estava causando polêmica em todo o mundo e teve sua exibição proibida no Brasil por pressão da Igreja Católica. Era o mês de maio de 1986. José Gil, na ocasião assessor parlamentar, obteve uma cópia em VHS do filme proibido e me sugeriu que o exibíssemos a um grupo de cinéfilos e intelectuais. Achando ótima a idéia de realizarmos uma “desobediência civil”, ofereci a espaçosa sala do meu apartamento para o evento e convidei um pequeno grupo de amigos. Estiveram presentes, além da minha mãe Edith Barbosa Souto que a todos recebeu com um gostoso cafezinho e alguns petiscos, os seguintes: o referido José Gil, então o mais atuante cineclubista do Paraná; a professora de Literatura Francesa Maria da Graça (Graci) Trény; Marilene Martins dos Santos, que era a assessora do então prefeito Roberto Requião; o psicólogo, educador, artista plástico e cinéfilo Rubens Faria Gonçalves; Aramis Millarch (cinéfilo, autor da coluna diária Tablóide, do jornal O Estado do Paraná, o mais importante animador cultural do Estado) e sua esposa Marilene Millarch (que logo depois veio a ser a diretoria da Biblioteca Pública do Paraná); o professor Robert Jan Bowles e sua esposa Regina Romano Bowles, também professora, ambos intelectuais, e alguns outros. Jaime Lerner, naquele ano sem cargo político, grande cinéfilo, foi convidado mas não compareceu.

   Vale abrir parênteses para lembrar que eu era grande admirador do então ex-prefeito, pelo belo trabalho que ele realizara em prol da capital do Paraná, e até tínhamos algumas fotografias, juntos, tiradas em diferentes eventos e publicadas pela imprensa local. Só muitos anos depois me decepcionei com Lerner, quando ele, então governador, colocou homens da sua confiança na diretoria do Banestado, o banco oficial do Paraná, que num escandaloso episódio de roubos e corrupção, levou a grande instituição à bancarrota. Minha aversão pelo político se multiplicou quando, contrariando suas próprias declarações de campanha política de que não venderia o banco, quando eleito vendeu-o e por preço vil ao Banco Itaú, episódio transformado em grande escândalo nacional, que acabou com seus planos de chegar à presidência da república, corroendo-lhe a confiança do povo e comprometendo o seu próprio futuro político.

   Voltando a “Je Vous Salut Marie”, ambientando a história bíblica no mundo atual, o filme mostrava Maria como uma jovem estudante que jogava basquete e trabalhava na empresa do seu pai. José era motorista de táxi. E o anjo Gabriel, um amigo que procurava convencer José a aceitar a gravidez de Maria. Nada de extraordinário, uma película que a censura imposta pela Igreja Católica nos países onde tinha influência, fez o tiro sair pela culatra, tornando o filme um sucesso ao qual todos queriam assistir.

    Naquela noite, fizemos duas sessões. Aramis Millarch estava exultante por termos praticado a “desobediência civil”. E José Gil cumpria o seu papel cineclubista de divulgar obras cinematográficas, de arte ou não, mas que representassem liberdade de expressão, em resposta à censura que desejava calar, cegar e tornar surdos a todos os brasileiros.

   É nas páginas seguintes que o autor rememora fatos que merecem, realmente, registro histórico e que muito contribuíram para que os políticos, pressionados, fossem a pouco e pouco reconduzindo o Brasil à democratização que todos nós tanto aspirávamos.

Francisco Souto Neto
Advogado, Jornalista, Crítico de Arte

OBSERVAÇÃO INSERIDA NESTE BLOG EM 6.12.2011:

No capítulo “Inauguração da sede”, na página 48, José Gil relaciona alguns dos presentes ao coquetel (eu estava entre eles) e o episódio das taças de vinho com sangue escorrendo. Refere-se também ao fim da Galeria Schaffer, que era um dos pontos de encontro mais importantes do mundo cultural curitibano, além de sediar um cinema de arte da Fundação Cultural de Curitiba.
Curitiba, 6 de dezembro de 2011.
Francisco Souto Neto


1987 – Inauguração da sede

Página 48


Página 49


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1987 – Inauguração da sede da Federação Paranaense de Cineclubes.

     A Federação Paranaense de Cineclubes foi, com certeza, a segunda ou terceira federação de cineclubes no Brasil a contar com sede. Através do apoio do então Secretário Municipal de Cultura e presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Carlos Frederico Marés de Souza Filho, foi alugada (com valor simbólico) uma sala para os cineclubistas na Galeria Schaffer, em plena Rua XV de Novembro. O local servia de ponto de encontro dos cineclubistas e de exposição permanente de fotografias e cartazes de cinema – a parede era de vidro transparente. A Galeria era importante referência cultural, até ser fechada pelo corrupto governo de Jaime Lerner.
     O coquetel de inauguração foi realizado no dia 12 de junho de 1987 com a presença do então Secretário Municipal de Cultura e presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Carlos Marés; Francisco Alves dos Santos, cineasta e diretor da Cinemateca de Curitiba; o Cônsul Geral da Polônia; o diretor do Museu da Imagem e do Som, Francisco Bettega; Francisco Souto Neto, assessor da diretoria do Banestado; Chádia Regina Al Masri, da Associação Sanaúd; Ozualdo Candeias, cineasta paulista; cineastas paranaenses Werner e Wully Schulmann, Palito e Altenir Silva; Paulão, ator; Cido, Geraldo, Hélio e Miriam da Cinemateca; jornalista Ruy Barrozo; Gil Vicente, representante da Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro; Paulo Stocker, da Comissão de Cineclubes de Santa Catarina; Cássio Pirkel do Cineclube de Foz do Iguaçu; José Lanes Marques do Cineclube de Goioerê; Ladir Galli do Cineclube de Medianeira; Paulo Granero do Cineclube do DANC; Anete Kowalski do Cineclube de Cascavel; José Gil do Cineclube de Maringá; Carvalho do Cineclube dos Funcionários da Assembleia Legislativa; Edson Vulcanis do Cineclube Sindicato do Delírio da UFPR; Alberto César, artista plástico e cineclubista de Maqringá; Vádis do Cineclube de Medianeira; Antônio Carlos da Conceição Marques do Cineclube de Goioerê.
     O coquetel corria animado ao som de Carmina Burana de Carl Orff, até que alguns convidados estranharam as taças de vinho com sangue escorrendo. Descobriram que um dos punks que estava servindo as bebidas estava tão drogado que não percebeu um corte na mão ao abrir uma garrafa de  vinho, e assim todos os copos que ele servia vinham com algumas gotas de sangue humano escorrendo pela taça. O improvisado garçom foi substituído e a festa continuou.
     Uma das músicas mais tocadas pelos cineclubistas da época era a canção de Marco Mueller, tocada pela Banda Replicantes, “Saudade da minha garota”:

Sábado todo
Eu chorei de mágoas
Minha garota
Foi pra Manágua
Lutar na Revolução.

Todo mundo vai embora
Todo mundo tem sua hora

Ela me deixou
Me trocou por um sandinista
Especialista em granada
De mão...

     A Galeria Schaffer, em plena Rua XV de Novembro, sempre foi um local de valorização cultural da cidade, abrigando entidades culturais de defesa da cidadania. Na administração de Maurício Fruet e Roberto Requião, o espaço era democrático e estava a serviço da comunidade, por esse motivo o então presidente da Fundação Cultural de Curitiba e Secretário Municipal de Cultura, Carlos Frederico Marés de Souza Filho, decidiu atender a reivindicação dos cineclubistas e ceder uma sala para a sede da Federação Paranaense de Cineclubes. O local serviu para manifestações culturais importantes como exposição de artes plásticas, palestras e debates sobre cinema e cineclubismo.
     Alguns anos depois, na administração Jaime Lerner, a Galeria Schaffer foi entregue à iniciativa privada e os movimentos culturais que se abrigavam naquele local foram desalojados. A tradicional Galeria Schaffer, de glorioso passado na vida cultural da cidade, foi transformada em shopping center decadente.


Índice

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Sobre o autor

Sobre o autor. Obras do autor.


Contracapa


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sábado, 3 de dezembro de 2011

Livro O SÉTIMO PORTAL

Livro O SÉTIMO PORTAL
Dione Mara Souto da Rosa
Prefácio de Francisco Souto Neto
Edição 2004 (Curitiba, PR)


Capa

Capa


Abertura

Página 3


Dione Mara Souto da Rosa,
a autora.


Detalhes técnicos

Página 4

Dedicatória

Página 5


Dedicatória

 

Dedico este livro in memoriam de meu pai Dulci Col da Rosa e de minha avó Edith Barbosa Souto – duas rosas que habitam o jardim da saudade;
Para minha mãe Ivone Souto da Rosa – a rosa que me gerou, e minha filha Isabelle Edith Aguilar da Rosa, a rosa que por mim foi gerada;
Para minha afilhada Marion Souto da Rosa Lemes – a rosa que está desabrochando em menina-mulher;
Para minha irmã Rossana Souto da Rosa – rosa de todas as horas e de todas as confidências;
E para todas aquelas pessoas especiais – rosas de suave perfume que ajudam na construção dos jardins da vida.

                                Agradecimento Especial

Página 7

Agradecimento Especial
A Francisco Souto Neto, meu tio e padrinho, pela atenção com meu trabalho e um agradecimento muito especial pelo carinho e incentivo objetivando a publicação desta obra.

Prefácio

Francisco Souto Neto,
o prefaciador do livro.

Página 9

Página 10

Prefácio

Neste início do século XXI vivemos um momento conturbado no mundo. Uma vez mais, e sempre num crescendo, temos presenciado a expressão do potencial agressivo do homem, manifesta através das guerras, agora provocadas pelos Estados Unidos da América contra países do Oriente Médio – Afeganistão e Iraque – com os nefastos resultados de massacres sobre populações civis. Paralelamente a tais horrores, no corrente ano de 2003 surgem doenças novas cada vez mais letais, a exemplo da pneumonia asiática que, ceifando vidas, se espalha rapidamente através do planeta.
No Brasil também vivemos perplexos ante o avanço da violência que, no Rio de Janeiro, assume o aspecto de uma verdadeira guerrilha urbana. As maiores cidades do país enredam-se nas tramas do narcotráfico. A corrupção campeia sem tréguas. As desigualdades sociais aprofundam-se como abismos ao longo de incompetentes governos, e somente agora presenciamos a eleição de um que se volta a favor do social e prioriza a luta contra a violência e a corrupção (*).
Curitiba, infelizmente, vai sendo levada de roldão nos pesadelos desta nova era de inquietações e medos. E é justamente por vivermos neste caos que ficamos felizes ao encontrar lenitivos para as nossas desilusões existenciais. E que melhor alívio que o da leitura de uma poesia leve e romântica, recendendo a aroma de rosas?
Creio que este tenha sido o propósito de Dione Mara Souto da Rosa ao reunir poemas escritos por ela em épocas muito diversas, que vão do final da adolescência à sua idade adulta, aqui dispostos sem obedecer a uma cronologia. Entretanto, embora criados em ocasiões tão diversas, formaram uma unidade: a dos sete portais.
O simbolismo dos versos dá maior fluência ao romantismo da autora que tem na rosa o mais forte signo da sua mitologia pessoal. Rosa ela própria pelo nome de família – pois nasceu Souto da Rosa – faz-me pensar que tal dualidade se intensifica pela delicadeza de espírito que sempre lhe caracterizou a personalidade, paralelamente a outros dos seus muitos méritos pessoais, tais como a honestidade, a tolerância e a solidariedade. Essa maravilhosa soma de qualidades resultou-lhe ser tão boa filha quanto boa mãe.
Sendo Dione Mara minha sobrinha e afilhada de batismo, pude acompanhar muito de perto a todas as etapas da sua vida. Vê-la transformar-se numa dinâmica e ética advogada, não apagou a suavidade da antiga menina-rosa, da menina-flor que foi um dia.
Na sua poesia livre faz várias referências à música, o que se justifica pelo fato de ser ela pianista. E através do símbolo dos pássaros e das flores, Dione Mara desvenda não apenas os sonhos ingênuos da jovem, como também as esperanças da mulher pelo encontro com um companheiro idealizado.
A poesia é sempre muito bem-vinda, e o lançamento de novos livros merece aplausos porque são os versos dos poetas que nos distraem da dureza dos textos diários dos jornais e dão leveza ao nosso dia-a-dia de eternos leitores. E como disse muito bem Suzana de Campos, “Ser poeta é sofrer. Viver sonhando. / É passar pela vida incompreendido. / É sorrir, mas quase chorando...”.
Francisco Souto Neto
Advogado e Jornalista

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(*) – OBSERVAÇÃO ACRESCENTADA EM 2.12.2011:
Oito anos após ter escrito o prefácio acima, devo registrar minha decepção pelo Governo Lula. No prefácio, eu tinha a esperança de que ele refutaria a corrupção. O que presenciei, foi o chefe de governo varrer para debaixo do tapete os atos sujos dos seus homens de confiança. Infelizmente, aquele foi um dos governos mais corruptos que conheci. Agora estou esperançoso pelo Governo Dilma Rousseff: a queda por corrupção de vários de seus ministros, neste começo de gestão, demonstra que a presidenta parece não tolerar os corruptos. Oxalá permaneça assim.
Francisco Souto Neto

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