domingo, 4 de dezembro de 2011

Livro A HISTÓRIA DO MOVIMENTO CINECLUBISTA PARANAENSE.

Livro A HISTÓRIA DO MOVIMENTO CINECLUBISTA PARANAENSE

José Gil de Almeida
Prefácio: Francisco Souto Neto
Edição 2008 (Curitiba, PR)

Capa

Capa

Abertura

Página 3:  Abertura

Prefácio

Francisco Souto Neto, autor do prefácio.
Página 5:  Prefácio.


Página 6:  Prefácio.


Página 7:  Prefácio.


Página 8: Prefácio.

   Prefácio

   A leitura de “A história do Movimento Cineclubista Paranaense”, de José Gil de Almeida, é um passeio, às vezes surpreendente e dramático, outras vezes hilariante, através do passado recente de pessoas que moveram o universo cinematográfico paranaense para o lado da originalidade e da ousadia, num tempo em que imperava neste país a censura, instrumento da ditadura e da repressão para impedir o avanço do pensamento e da liberdade de expressão.

   Embora eu nunca tenha participado ativamente no Movimento Cineclubista, jamais estive alheio às dificuldades enfrentadas pelos cineclubistas nos seus movimentos contra a censura oficial e a favor dum cinema mais verdadeiro, reflexivo e social. Muito do que estava acontecendo, eu sabia através do meu muito bem informado amigo José Gil, autor deste livro. Ele, a propósito, um dos mais atuantes cineclubistas do país, foi presidente do Cineclube de Maringá de 1981 a 1984, Coordenador Estadual da Federação Paranaense de Cineclubes de 1985 a 1990, tendo em 1986 ocupado, simultaneamente, a presidência do Conselho Nacional de Cineclubes.

   As novas gerações não imaginam o que representou a censura para o cinema e, por extensão, a todos os segmentos da cultura: literatura, teatro, música. A própria imprensa estava amordaçada pelo rígido controle do governo central. Isto me fez lembrar de um curioso episódio que poderá elucidar, bem claramente, como a censura agia em cada país conforme a visão muito pessoal dos seus respectivos governos e que, além de autoritária e castradora, era extremamente burra! Vou me referir especificamente ao filme “Roma de Fellini”, uma obra-prima da cinematografia, ganhadora de muitos prêmios e hoje um dos ícones do cinema de arte.
  
   Roma de Fellini

   Quando o filme passou nas telas brasileiras, fui assistir. Eu tinha conhecimento de que havia um trecho censurado, mas era impossível saber que assunto ou que cenas tinham sido sonegadas ao espectador brasileiro. Logo depois disso, fiz um passeio a Buenos Aires em companhia de um amigo, Rubens Faria Gonçalves. Lá, na capital portenha, vimos que o filme “Roma de Fellini” estava em cartaz. E entramos no cinema, na esperança de assistir ao filme completo. Em certo momento da projeção, durante o sono e sonho de uma personagem, inicia-se um desfile de modas no Vaticano. Surgem, na passarela, noviças com hábitos de cetim negro, seguidas de outras freiras que desfilam com seus chapéus cujas abas, ao compasso da música de Nino Rota, movem-se como asas de gaivotas. Sacristãos mostram trajes cheios de rendas e festivos modelos de batinas. Depois, aparecem bispos e cardeais usando adornos eclesiásticos com espelhos, ouro e plumas, e com iluminação própria. Para encerrar o desfile, desce sobre a passarela um gigantesco portal de ouro e então surge o próprio papa – o ator era um sósia de Paulo VI, o papa então reinante – envolto em tamanho esplendor que ofusca a platéia em delírio...

   A sequência do desfile é o ponto mais engraçado e, ao mesmo tempo, estranhamente belo, do filme. Como a Igreja Católica era muito forte no Brasil, exigiu ao governo que a suprimisse totalmente, vetando, deste modo, o direito do espectador a conhecer a obra completa do genial diretor italiano.

   Mas então percebemos que ali no cinema de Buenos Aires, o que faltava era uma outra sequência inteira do filme que tínhamos visto no Brasil: a dos homens que, durante a II Guerra Mundial, dirigem-se ao prostíbulo de Roma, onde estão se expondo as prostitutas quase sempre feias e bizarras de rosto, bem à maneira que o diretor Fellini faz em praticamente todos os filmes, para que o espectador se divirta sobretudo em observar as “máscaras” humanas. Só algumas das prostitutas mostram os seios, mas jamais aparece qualquer nudez abaixo da cintura. Hoje, se o filme voltar aos cinemas, certamente não escandalizará nem mesmo a adolescentes. Ocorre que, naquela época, a prostituição era proibida na Argentina, e por este motivo o governo de lá censurou todo aquele trecho do filme, e manteve intacta a parte do desfile do Vaticano, simplesmente porque, naquele país, a Igreja não era tão forte e, para os censores argentinos, qualquer referência à prostituição era o que arrepiava de horror.

   Então, no Brasil a censura cortou o trecho do desfile no Vaticano. Na Argentina, o corte ocorreu no divertido capítulo das prostitutas. Para ver como o que era mau ou bom para a censura dum país, não era o mesmo para a censura do outro... Em ambos os casos, saiu perdendo a cultura de ambos os países, e os cinéfilos em especial.
  
   Je Vous Salut Marie

  José Gil, ao longo de todo o livro, demonstra bem claramente a sua luta e a dos cineclubistas contra a censura. E, com meu amigo disposto a divulgar no Brasil as obras na íntegra, apesar da proibição do governo, certa ocasião vivenciei com ele e com outros amigos um interessante episódio. Ocorreu o seguinte:

   O filme “Je Vous Salut Marie”, de Jean-Luc Goddard, premiado e elogiado diretor francês, estava causando polêmica em todo o mundo e teve sua exibição proibida no Brasil por pressão da Igreja Católica. Era o mês de maio de 1986. José Gil, na ocasião assessor parlamentar, obteve uma cópia em VHS do filme proibido e me sugeriu que o exibíssemos a um grupo de cinéfilos e intelectuais. Achando ótima a idéia de realizarmos uma “desobediência civil”, ofereci a espaçosa sala do meu apartamento para o evento e convidei um pequeno grupo de amigos. Estiveram presentes, além da minha mãe Edith Barbosa Souto que a todos recebeu com um gostoso cafezinho e alguns petiscos, os seguintes: o referido José Gil, então o mais atuante cineclubista do Paraná; a professora de Literatura Francesa Maria da Graça (Graci) Trény; Marilene Martins dos Santos, que era a assessora do então prefeito Roberto Requião; o psicólogo, educador, artista plástico e cinéfilo Rubens Faria Gonçalves; Aramis Millarch (cinéfilo, autor da coluna diária Tablóide, do jornal O Estado do Paraná, o mais importante animador cultural do Estado) e sua esposa Marilene Millarch (que logo depois veio a ser a diretoria da Biblioteca Pública do Paraná); o professor Robert Jan Bowles e sua esposa Regina Romano Bowles, também professora, ambos intelectuais, e alguns outros. Jaime Lerner, naquele ano sem cargo político, grande cinéfilo, foi convidado mas não compareceu.

   Vale abrir parênteses para lembrar que eu era grande admirador do então ex-prefeito, pelo belo trabalho que ele realizara em prol da capital do Paraná, e até tínhamos algumas fotografias, juntos, tiradas em diferentes eventos e publicadas pela imprensa local. Só muitos anos depois me decepcionei com Lerner, quando ele, então governador, colocou homens da sua confiança na diretoria do Banestado, o banco oficial do Paraná, que num escandaloso episódio de roubos e corrupção, levou a grande instituição à bancarrota. Minha aversão pelo político se multiplicou quando, contrariando suas próprias declarações de campanha política de que não venderia o banco, quando eleito vendeu-o e por preço vil ao Banco Itaú, episódio transformado em grande escândalo nacional, que acabou com seus planos de chegar à presidência da república, corroendo-lhe a confiança do povo e comprometendo o seu próprio futuro político.

   Voltando a “Je Vous Salut Marie”, ambientando a história bíblica no mundo atual, o filme mostrava Maria como uma jovem estudante que jogava basquete e trabalhava na empresa do seu pai. José era motorista de táxi. E o anjo Gabriel, um amigo que procurava convencer José a aceitar a gravidez de Maria. Nada de extraordinário, uma película que a censura imposta pela Igreja Católica nos países onde tinha influência, fez o tiro sair pela culatra, tornando o filme um sucesso ao qual todos queriam assistir.

    Naquela noite, fizemos duas sessões. Aramis Millarch estava exultante por termos praticado a “desobediência civil”. E José Gil cumpria o seu papel cineclubista de divulgar obras cinematográficas, de arte ou não, mas que representassem liberdade de expressão, em resposta à censura que desejava calar, cegar e tornar surdos a todos os brasileiros.

   É nas páginas seguintes que o autor rememora fatos que merecem, realmente, registro histórico e que muito contribuíram para que os políticos, pressionados, fossem a pouco e pouco reconduzindo o Brasil à democratização que todos nós tanto aspirávamos.

Francisco Souto Neto
Advogado, Jornalista, Crítico de Arte

OBSERVAÇÃO INSERIDA NESTE BLOG EM 6.12.2011:

No capítulo “Inauguração da sede”, na página 48, José Gil relaciona alguns dos presentes ao coquetel (eu estava entre eles) e o episódio das taças de vinho com sangue escorrendo. Refere-se também ao fim da Galeria Schaffer, que era um dos pontos de encontro mais importantes do mundo cultural curitibano, além de sediar um cinema de arte da Fundação Cultural de Curitiba.
Curitiba, 6 de dezembro de 2011.
Francisco Souto Neto


1987 – Inauguração da sede

Página 48


Página 49


Página 50


1987 – Inauguração da sede da Federação Paranaense de Cineclubes.

     A Federação Paranaense de Cineclubes foi, com certeza, a segunda ou terceira federação de cineclubes no Brasil a contar com sede. Através do apoio do então Secretário Municipal de Cultura e presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Carlos Frederico Marés de Souza Filho, foi alugada (com valor simbólico) uma sala para os cineclubistas na Galeria Schaffer, em plena Rua XV de Novembro. O local servia de ponto de encontro dos cineclubistas e de exposição permanente de fotografias e cartazes de cinema – a parede era de vidro transparente. A Galeria era importante referência cultural, até ser fechada pelo corrupto governo de Jaime Lerner.
     O coquetel de inauguração foi realizado no dia 12 de junho de 1987 com a presença do então Secretário Municipal de Cultura e presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Carlos Marés; Francisco Alves dos Santos, cineasta e diretor da Cinemateca de Curitiba; o Cônsul Geral da Polônia; o diretor do Museu da Imagem e do Som, Francisco Bettega; Francisco Souto Neto, assessor da diretoria do Banestado; Chádia Regina Al Masri, da Associação Sanaúd; Ozualdo Candeias, cineasta paulista; cineastas paranaenses Werner e Wully Schulmann, Palito e Altenir Silva; Paulão, ator; Cido, Geraldo, Hélio e Miriam da Cinemateca; jornalista Ruy Barrozo; Gil Vicente, representante da Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro; Paulo Stocker, da Comissão de Cineclubes de Santa Catarina; Cássio Pirkel do Cineclube de Foz do Iguaçu; José Lanes Marques do Cineclube de Goioerê; Ladir Galli do Cineclube de Medianeira; Paulo Granero do Cineclube do DANC; Anete Kowalski do Cineclube de Cascavel; José Gil do Cineclube de Maringá; Carvalho do Cineclube dos Funcionários da Assembleia Legislativa; Edson Vulcanis do Cineclube Sindicato do Delírio da UFPR; Alberto César, artista plástico e cineclubista de Maqringá; Vádis do Cineclube de Medianeira; Antônio Carlos da Conceição Marques do Cineclube de Goioerê.
     O coquetel corria animado ao som de Carmina Burana de Carl Orff, até que alguns convidados estranharam as taças de vinho com sangue escorrendo. Descobriram que um dos punks que estava servindo as bebidas estava tão drogado que não percebeu um corte na mão ao abrir uma garrafa de  vinho, e assim todos os copos que ele servia vinham com algumas gotas de sangue humano escorrendo pela taça. O improvisado garçom foi substituído e a festa continuou.
     Uma das músicas mais tocadas pelos cineclubistas da época era a canção de Marco Mueller, tocada pela Banda Replicantes, “Saudade da minha garota”:

Sábado todo
Eu chorei de mágoas
Minha garota
Foi pra Manágua
Lutar na Revolução.

Todo mundo vai embora
Todo mundo tem sua hora

Ela me deixou
Me trocou por um sandinista
Especialista em granada
De mão...

     A Galeria Schaffer, em plena Rua XV de Novembro, sempre foi um local de valorização cultural da cidade, abrigando entidades culturais de defesa da cidadania. Na administração de Maurício Fruet e Roberto Requião, o espaço era democrático e estava a serviço da comunidade, por esse motivo o então presidente da Fundação Cultural de Curitiba e Secretário Municipal de Cultura, Carlos Frederico Marés de Souza Filho, decidiu atender a reivindicação dos cineclubistas e ceder uma sala para a sede da Federação Paranaense de Cineclubes. O local serviu para manifestações culturais importantes como exposição de artes plásticas, palestras e debates sobre cinema e cineclubismo.
     Alguns anos depois, na administração Jaime Lerner, a Galeria Schaffer foi entregue à iniciativa privada e os movimentos culturais que se abrigavam naquele local foram desalojados. A tradicional Galeria Schaffer, de glorioso passado na vida cultural da cidade, foi transformada em shopping center decadente.


Índice

Índice


Sobre o autor

Sobre o autor. Obras do autor.


Contracapa


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sábado, 3 de dezembro de 2011

Livro O SÉTIMO PORTAL

Livro O SÉTIMO PORTAL
Dione Mara Souto da Rosa
Prefácio de Francisco Souto Neto
Edição 2004 (Curitiba, PR)


Capa

Capa


Abertura

Página 3


Dione Mara Souto da Rosa,
a autora.


Detalhes técnicos

Página 4

Dedicatória

Página 5


Dedicatória

 

Dedico este livro in memoriam de meu pai Dulci Col da Rosa e de minha avó Edith Barbosa Souto – duas rosas que habitam o jardim da saudade;
Para minha mãe Ivone Souto da Rosa – a rosa que me gerou, e minha filha Isabelle Edith Aguilar da Rosa, a rosa que por mim foi gerada;
Para minha afilhada Marion Souto da Rosa Lemes – a rosa que está desabrochando em menina-mulher;
Para minha irmã Rossana Souto da Rosa – rosa de todas as horas e de todas as confidências;
E para todas aquelas pessoas especiais – rosas de suave perfume que ajudam na construção dos jardins da vida.

                                Agradecimento Especial

Página 7

Agradecimento Especial
A Francisco Souto Neto, meu tio e padrinho, pela atenção com meu trabalho e um agradecimento muito especial pelo carinho e incentivo objetivando a publicação desta obra.

Prefácio

Francisco Souto Neto,
o prefaciador do livro.

Página 9

Página 10

Prefácio

Neste início do século XXI vivemos um momento conturbado no mundo. Uma vez mais, e sempre num crescendo, temos presenciado a expressão do potencial agressivo do homem, manifesta através das guerras, agora provocadas pelos Estados Unidos da América contra países do Oriente Médio – Afeganistão e Iraque – com os nefastos resultados de massacres sobre populações civis. Paralelamente a tais horrores, no corrente ano de 2003 surgem doenças novas cada vez mais letais, a exemplo da pneumonia asiática que, ceifando vidas, se espalha rapidamente através do planeta.
No Brasil também vivemos perplexos ante o avanço da violência que, no Rio de Janeiro, assume o aspecto de uma verdadeira guerrilha urbana. As maiores cidades do país enredam-se nas tramas do narcotráfico. A corrupção campeia sem tréguas. As desigualdades sociais aprofundam-se como abismos ao longo de incompetentes governos, e somente agora presenciamos a eleição de um que se volta a favor do social e prioriza a luta contra a violência e a corrupção (*).
Curitiba, infelizmente, vai sendo levada de roldão nos pesadelos desta nova era de inquietações e medos. E é justamente por vivermos neste caos que ficamos felizes ao encontrar lenitivos para as nossas desilusões existenciais. E que melhor alívio que o da leitura de uma poesia leve e romântica, recendendo a aroma de rosas?
Creio que este tenha sido o propósito de Dione Mara Souto da Rosa ao reunir poemas escritos por ela em épocas muito diversas, que vão do final da adolescência à sua idade adulta, aqui dispostos sem obedecer a uma cronologia. Entretanto, embora criados em ocasiões tão diversas, formaram uma unidade: a dos sete portais.
O simbolismo dos versos dá maior fluência ao romantismo da autora que tem na rosa o mais forte signo da sua mitologia pessoal. Rosa ela própria pelo nome de família – pois nasceu Souto da Rosa – faz-me pensar que tal dualidade se intensifica pela delicadeza de espírito que sempre lhe caracterizou a personalidade, paralelamente a outros dos seus muitos méritos pessoais, tais como a honestidade, a tolerância e a solidariedade. Essa maravilhosa soma de qualidades resultou-lhe ser tão boa filha quanto boa mãe.
Sendo Dione Mara minha sobrinha e afilhada de batismo, pude acompanhar muito de perto a todas as etapas da sua vida. Vê-la transformar-se numa dinâmica e ética advogada, não apagou a suavidade da antiga menina-rosa, da menina-flor que foi um dia.
Na sua poesia livre faz várias referências à música, o que se justifica pelo fato de ser ela pianista. E através do símbolo dos pássaros e das flores, Dione Mara desvenda não apenas os sonhos ingênuos da jovem, como também as esperanças da mulher pelo encontro com um companheiro idealizado.
A poesia é sempre muito bem-vinda, e o lançamento de novos livros merece aplausos porque são os versos dos poetas que nos distraem da dureza dos textos diários dos jornais e dão leveza ao nosso dia-a-dia de eternos leitores. E como disse muito bem Suzana de Campos, “Ser poeta é sofrer. Viver sonhando. / É passar pela vida incompreendido. / É sorrir, mas quase chorando...”.
Francisco Souto Neto
Advogado e Jornalista

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(*)OBSERVAÇÃO ACRESCENTADA EM 2.12.2011:
Oito anos após ter escrito o prefácio acima, devo registrar minha decepção pelo Governo Lula. No prefácio, eu tinha a esperança de que ele refutaria a corrupção. O que presenciei, foi o chefe de governo varrer para debaixo do tapete os atos sujos dos seus homens de confiança. Infelizmente, aquele foi um dos governos mais corruptos que conheci. Agora estou esperançoso pelo Governo Dilma Rousseff: a queda por corrupção de vários de seus ministros, neste começo de gestão, demonstra que a presidenta parece não tolerar os corruptos. Oxalá permaneça assim.
Francisco Souto Neto

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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Livro CARTAS A CURITIBA - Organizado por Izza Zilli [Iza Zilli]


Livro CARTAS A CURITIBA

Organizadora: Izza Zilli [Iza Zilli]
Prefácio: Rafael Greca de Macedo
Edição 1991 (Curitiba, PR)

Capa.

Dedicatória (página 0):

Dedicatória.


Dedico este trabalho jornalístico a Benjamim Zilli Júnior, que muito amou Curitiba e que com bom astral a conheceu profundamente.
            A meu pai, curitibano de nascença e de coração, pessoa vibrante e inesquecível, admirador do dia e da noite curitibana, ofereço esta reportagem, pois sei que ninguém mais do que ele ficaria feliz ao ler “Cartas a Curitiba”.
Izza Zilli

Prefácio (página 1):

Prefácio.

            Estas cartas de amor a Curitiba, redigidas por alguns dos mais destacados membros da nossa sociedade, reforçam a ideia de que a Cidade é um projeto coletivo de bem comum. Em todos os corações e mentes percebe-se a alegria de participarem da vida desta Cidade neste momento tão especial que é o limiar dos seus 300 anos.
            Aqui renovam-se as estruturas urbanas, multiplicam-se os pontos de encontro, abrem-se novos caminhos de progresso e de igualdade social. As cartas coletadas pela Izza Zilli são admirável perfil da sociedade contemporânea. Podem instruir quem, no futuro, queira fazer a história das mentalidades desta geração. Tem sabor de correspondência amorosa. Todas as cartas guardam memória, dentre os aqui nascidos e os que aqui escolheram viver, dos mistérios e das delícias da vida curitibana.
A Izza Zilli é moça desta cidade. Sua gente animou o Largo da Ordem nas manhãs do início do século, quando havia o efervescente comércio do armazém do velho Benjamim Zilli, patriarca familiar. Ainda lá se pode ver o solar da sua família, a varanda de ferro projetando sua sombra sobre as pedras do Largo, rivalizando com o campanário da Igreja de São Francisco, ou com o olho mágico do velho bebedouro.
As crônicas da Izza não dispensam as tintas da memória. Têm tons marcantes, que brotam da alma de Curitiba. Este livro, coletânea de diversas visões de uma mesma Cidade, tem também o sabor de relato da paixão de seres humanos pelo local onde nasceram, onde escolheram viver, e onde realizam as potencialidades das suas vidas.
Rafael Greca de Macedo

Apresentação (página 2):

Apresentação.

Estava eu na redação do Correio de Notícias, naquela agitação de fechamento de coluna, quando meu amigo Cláudio Seto me sugeriu que eu iniciasse um trabalho jornalístico em homenagem a nossa querida Curitiba.
Pensamos: deve ser um registro onde pessoas expressivas de nossa sociedade possam transmitir a sua opinião sobre a nossa cidade.
Aí nasceu “Cartas a Curitiba”, uma reportagem interessante com empresários, políticos, artistas e nomes de destaque que nessas cartas emitem opiniões, escrevem sobre o que sentem e até viajam no tempo recordando como Curitiba os acolheu, e fatos pitorescos que com eles ocorreram.
O mais importante desta reportagem é o registro que permanecerá através dos tempos. Conseguimos com nosso trabalho, algumas demonstrações de amor à nossa amada Curitiba, e são eles, os homens que declararam a sua paixão por esta cidade. Alguns por certo adotados e não menos incertos sobre o seu amor.
Assim gostaria que você, que vai ler as “Cartas a Curitiba”, sinta-se um amante desvendando segredos de sua amada – a nossa querida Curitiba.
Izza Zilli 


Detalhes da obra (página 3):

Detalhes da obra.


Capa: Maria Cristina Zilli
Editor gráfico: Paulo Bello
Revisão: Heloísa Grubhofer


Os autores das CARTAS A CURITIBA:

Francisco Souto Neto – Página 4
Eduardo Rocha Virmond – Página 7
René Ariel Dotti – Página 10
João Batista Brotto – Página 12
Jaime Lerner – Página 14
José Macedo Neto – Página 17
João José Werbitzki – Página 19
Nelson Faria de Barros – Página 22
Túlio Vargas – Página 24
Dálio Zippin Filho – Página 30
Rodolfo Doubeck Filho – Página 33
Raul Renhardt – Página 35
Inério Bruno Marchesini – Página 37
José Carlos Gomes de Carvalho – Página 40
Marco Antonio Monteiro da Silva – Página 43
Gláucio José de Mio Geara – Página 46
Abdo Dib Abage – Página 49
Álvaro Dias – Página 52
Ali Feres Messmar – Página 54
José Maria Correia – Página 56
Aníbal Khury – Página 59
Osmário Zilli – Página 61
João Cândido Ferreira da Cunha Pereira – Página 64
Rafael Greca de Macedo – Página 67
Jorge Carlos Sade – Página 70
José Ábila Filho – Página 73
Luiz Renato Pedroso – Página 75
Ary Queiroz – Página 77
Vinícius Coelho – Página 79
Werner Egon Schrappe – Página 82
Luiz Carlos Borges da Silveira – Página 84
Alceu Vezozzo Filho – Página 86
Dino Almeida – Página 89
Joel Malucelli – Página 91
Walmir Ayala (in memorian) – Página 93
Érico da Silva – Página 96
Fernando Carneiro – Página 98
Luiz Geraldo Mazza – Página 100
Paulo Hilário Bonametti – Página 102
João Régis Fassbender Teixeira – Página 105
Nilzan Pereira Almeida – Página 108
Eros N. Gradówski – Página 110
Lauro Lobo Alcântara – Página 114
Alcy Ramalho Filho – Página 116
Calixto Haquim – Página 118
José Luiz Almeida Tizzot – Página 121
Ivânio Guerra – Página 123
Abílio Abreu Neto – Página 126
Miguel Nasser Filho – Página 128
Deco Farracha – Página 130
Fernando Antonio Miranda – Página 132


As CARTAS A CURITIBA

OBSERVAÇÃO ACRESCENTADA EM 29.11.2011:

            Talvez possa parecer estranho que eu, pessoa sem nenhuma projeção política, e pouca importância social, tenha a minha carta a abrir toda a sequência de autores do importante livro da conhecida e respeitada jornalista e cronista social Iza Zilli. Mas isto tem uma explicação. Iza telefonou a cerca de 50 pessoas, consideradas das mais importantes desta capital em suas diversas áreas, convidando-as, uma a uma, a escrever uma carta aberta à cidade de Curitiba, para agrupá-las num livro. A todos, deu-nos um prazo para a entrega do texto. Eu escrevi logo nos dias seguintes, e encaminhei a minha carta à Iza Zilli. O que nenhum de nós sabia, e isto só descobrimos no dia do lançamento de “Cartas a Curitiba”, é que a Iza selecionou-as cronologicamente, isto é, pela ordem do recebimento dos textos. Deste modo, evitou o constrangimento comum a obras organizadas com autores diversos, em que os organizadores quase sempre colocam os artigos classificados pela importância sócio-política. Mas de que maneira um organizador priorizaria artigos quando há vários governadores do Paraná, prefeitos de Curitiba, secretários de Estado, diversos deputados, importantes empresários, que geralmente competem entre si para aparecer um na frente do outro? A solução de Iza Zilli foi diplomática e certeira: a ordem de publicação foi a das datas das cartas. Casualmente a minha foi a primeira, e que poderá ser lida logo adiante.
Francisco Souto Neto
Curitiba, 29 de novembro de 2011.

Página 4:  FRANCISCO SOUTO NETO


Página 5: Carta de Francisco Souto Neto.


Página 6: Carta de Francisco Souto Neto.


Curitiba, 5 de agosto de 1990.

Não sou, nunca fui bairrista. O bairrismo provém de uma visão estreita de pessoas que consideram sua cidade a melhor de todas e menosprezam e até hostilizam, ou as demais urbes, ou alguma que acreditem potencialmente competitiva sob algum qualquer aspecto e, assim, ameaçadora. Bairrismo é uma espécie de paixão doentia. Não nasci no Paraná; sou paulista. Mas sinto-me à vontade para referir-me a “minha” cidade de Curitiba. A admiração que sinto por ela é racional, uma espécie de amor equilibrado e maduro que flui livre, acima das paixões pessoais ou políticas. Essa admiração tem motivos de sobejo, e variados, que vêm de longe. Por exemplo, o respeito da administração pública à memória arquitetônica da cidade, o sistema pioneiro de canaletas exclusivas para ônibus, e as áreas centrais conquistadas para o pedestre... A Rua das Flores fez escola no Brasil e no mundo, da Kobmagergade de Copenhague, à Calle Florida de Buenos Aires.
Com o retorno de Jaime Lerner à prefeitura, era de se esperar por grandes inovações no nosso panorama urbano. E a maior delas está prestes a tornar-se realidade: a volta do bonde às ruas curitibanas. Não um bonde comum, mas um tipo aperfeiçoado de transporte coletivo que funcionará como uma espécie de metrô de superfície. Quando os bondes foram retirados das cidades brasileiras, justificava-se que os mesmos atrapalhavam o trânsito e que se tinham tornado obsoletos. Ora, mas vemos que os bondes nas cidades de países do chamado “primeiro mundo” continuam viáveis, mesmo quando se trata de modelos convencionais e antigos, como aqueles que, para citar um só exemplo, trafegam em Roma, cidade que conta com um moderno metrô e com trânsito bastante caótico, pior que o brasileiro. No entanto, que belo exemplo de “coexistência pacífica”, funcional e muito útil aos usuários, é essa verificada em Roma! Bondes de cidades norte-americanas e europeias continuam circulando entre outros veículos, tal como víamos, no passado, nas cidades brasileiras. Mas o “bonde moderno” ou superbonde” (melhor ainda, o ultrabonde) curitibano será muito mais eficaz, trafegará em canaletas exclusivas, contará com futuristas “estações-tubo” e, em tudo, se distinguirá dos velhos padrões dos bondes que conhecemos. Será um transporte coletivo que antecipará o novo século que nos avizinha.
É natural que haja oponentes ao projeto. Também muita gente protestou contra a transformação das primeiras quadras da Rua XV de Novembro em área de pedestres. Agora quem se atreveria a reclamar da existência da Rua das Flores? Imagino que os seus antigos oponentes defendam hoje a sua ampliação. O ideal seria, realmente, que algumas vias centrais se tornassem subterrâneas para veículos, com a superfície transformada em calçadões, da mesma forma como parcialmente subterrâneo será o ultrabonde que, na sua primeira linha norte-sul, submergirá sob o asfalto ao lado do Passeio Público, para reaparecer nas imediações da Rua Visconde de Guarapuava.
Ao defender o bonde curitibano, não sou guiado pela nostalgia, apesar da saudade que tenho do “bonde camarão” paulistano, e da paixão pelos bondes europeus. Trata-se, isto sim, de acreditar num sistema de transporte coletivo eficiente, confortável, agradável. É inovador também pela ideia das “estações-tubo”.
Quando o bonde for inaugurado, trafegando com frequência de metrô, e funcionando como um pré-metrô, deixarei meu automóvel na garagem e passarei a usar esse meio de transporte coletivo que haverá, uma vez mais e com maior força, de projetar a nossa Cidade Laboratório para além das nossas fronteiras, fazendo-a admirada e seguida no Brasil e no mundo.
O retorno do bonde é bem-vindo. Devemos lutar como pudermos, em apoio à sua implantação e futura multiplicação das linhas.
Curitiba merece!

Francisco Souto Neto
Assessor para Assuntos de Cultura da Presidência do Banestado.

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OBSERVAÇÃO ACRESCENTADA EM 29.11.2011:

O projeto do “bonde moderno” tratado na minha publicação acima, tal como prometia o então prefeito Jaime Lerner, estava até na capa dos cartões do IPTU. Lerner promovia o seu projeto do “bonde moderno” que no começo funcionaria como um pré-metrô. Isso ocorreu há mais de 20 anos. Naquela época eu era um grande admirador de Lerner, devido às suas inovadoras soluções para o transporte coletivo de Curitiba. Como todos sabemos, resultamos frustrados com a não realização de projeto do "bonde moderno" de Jaime Lerner.
            Curiosa e surpreendentemente, neste começo do século XXI, o antigo prefeito, já idoso, de certo modo no ostracismo, e aparentemente cristalizado e refratário a novas ideias,  manifesta-se, de público, diametralmente contrário à implantação do transporte sobre trilhos em Curitiba. Ele fez essa declaração ao jornal Gazeta do Povo em meados do ano em curso. Na recente administração passada, com Beto Richa na prefeitura, em 2010 o assunto do retorno do bonde às ruas de Curitiba voltou à baila, porém trata-se de novo projeto de um bonde turístico, sem o propósito de servir como transporte coletivo de massas. Mas Beto Richa também prometeu que implantaria o metrô na capital do Paraná. E ele está cumprindo esse compromisso, pois já existem verbas federais para o apoio à primeira linha metroviária.
Vale observar que Jaime Lerner se manifesta agora contrário ao transporte sobre trilhos, certamente porque teme ver o seu projeto dos ônibus expressos preterido por sistemas mais modernos. O fato é que os urbanistas envelhecem, e muitas das suas ideias antes revolucionárias, vão se tornando obsoletas. É assim mesmo. Por isso, a renovação é sempre bem-vinda. C’est la vie.

Francisco Souto Neto
    Curitiba, 29 de novembro de 2011.   

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Página 7:  EDUARDO ROCHA VIRMOND.


Página 8:  Carta de Eduardo Rocha Virmond.


Página 9:  Carta de Eduardo Rocha Virmond.


Página 10:  RENÉ ARIEL DOTTI.


Página 11:  Carta de René Ariel Dotti.


Página 12:  JOÃO BATISTA BROTTO.


Página 13:  Carta de João Batista Brotto.


Página 14:  JAIME LERNER.


Página 15:  Carta de Jaime Lerner.


Página 16:  Carta de Jaime Lerner.


Página 17: JOSÉ MACEDO NETO.


Página 18: Carta de José Macedo Neto.

OBSERVAÇÃO: APÓS POSTAR AS PRIMEIRAS 18 PÁGINAS DO LIVRO, OBSERVEI QUE O MECANISMO DESTE BLOG NÃO PERMITE A AMPLIAÇÃO DAS REFERIDAS PÁGINAS NO TAMANHO SUFICIENTE PARA QUE POSSAM SER LIDAS. ASSIM SENDO, DAQUI EM DIANTE VOU COLOCAR APENAS AS PÁGINAS QUE CONTENHAM AS FOTOGRAFIAS DOS AUTORES.
Francisco Souto Neto.
Curitiba, 29 de novembro de 2011.

Página 19: JOÃO JOSÉ WEBITZKI.


Página 22:  NELSON FARIA DE BARROS.


Página 24:  TÚLIO VARGAS.


Página 30:  DÁLIO ZIPPIN FILHO.


Página 33:  RODOLFO DOUBECK FILHO.


Página 35:  RAUL RENHARDT.


Página 37:  INÉRIO BRUNO MARCHESINI.


Página 40:  JOSÉ CARLOS GOMES DE CARVALHO.


Página 43:  MARCO ANTONIO MONTEIRO DA SILVA.


Página 46:  GLÁUCIO JOSÉ DE MIO GEARA.


Página 49:  ABDO DIB ABAGE.


Página 52:  ÁLVARO DIAS.


Página 54:  ALI FERES MESSMAR.


Página 56:  JOSÉ MARIA CORREIA.


Página 59:  ANÍBAL KHURY.


Página 61:  OSMÁRIO ZILLI.


Página 64: JOÃO CÂNDIDO FERREIRA DA CUNHA PEREIRA.


Página 67: RAFAEL GRECA DE MACEDO.


Página 70:  JORGE CARLOS SADE.


Página 73: JOSÉ ÁBILA FILHO.


Página 75: LUIZ RENATO PEDROSO.


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Página 77: ARY QUEIROZ.


Página 79: VINÍCIUS COELHO.


Página 82: WERNER EGON SCHRAPPE.


Página 84: LUIZ CARLOS BORGES DA SILVEIRA.


Página 86: ALCEU VEZOZZO FILHO.


Página 89:  DINO ALMEIDA.


Página 91:  JOEL MALUCELLI.


Página 93: WALMIR AYALA (in memorian).


Página 96:  ÉRICO DA SILVA.


Página 98: FERNANDO CARNEIRO.


Página 100: LUIZ GERALDO MAZZA.


Página 102:  PAULO HILÁRIO BONAMETTI.


Página 105:  JOÃO RÉGIS FASSBENDER TEIXEIRA.



Página 108:  NILZAN PEREIRA ALMEIDA.


Página 110:  EROS N. GRADÓWSKI.


Página 114: LAURO LOBO ALCÂNTARA.


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Página 116: ALCY RAMALHO FILHO.


Página 118:  CALIXTO HAQUIM.


Página 121:  JOSÉ LUIZ ALMEIDA TIZZOT.


Página 123:  IVÂNIO GUERRA.


Página 126:  ABÍLIO ABREU NETO.


Página 128:  MIGUEL NASSER FILHO.


Página 130:  DECO FARRACHA.


Página 132:  FERNANDO ANTONIO MIRANDA.

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